março 08, 2017

declaração de saudades

A ternura das suas palavras me sustentava. Mesmo as mais corriqueiras. Sua atenção e cuidado, ao que parecia, sinceros, me faziam sentir segura. Emocionalmente, sabe? Afinal, te manter informado sobre a minha rotina diária não mudaria nada, do ponto de vista da realidade. Ainda assim, importava. E isto não é uma cobrança.
Eu não faço ideia do que se passa. Se, em seu coração, a falta arde tanto quanto aqui dentro, ou se eu esgotei a sua capacidade humana de acolher as complexidades de alguém que ainda não alcançou o completo domínio de si. Jamais foi minha intenção exauri-lo, se isso faz alguma diferença. Pelo contrário. Em toda a minha limitação, eu pretendia ser suporte, conforto e paz. Impossível, em meio às minhas tempestades, reconheço, mas eu pretendia.
Temo que a minha incompetência seja o que te afastou. E isso dói tanto - digo, não saber amar com um amor que percebe, acolhe, cura, não se acanha, não teme, não desiste.
Não é da segurança que eu sinto falta.
Nem das palavras.
É de você.