janeiro 18, 2015

Vaidade

Sou a criança que chorou logo ao nascer,
O velho homem que morreu sem perceber,
Eu sou o pó que se levanta de manhã, e à noite se foi.

Sou a vontade incontrolável de chorar,
A liberdade indesejável de errar,
Eu sou um pouco menos do que eu quero
E muito mais do que não.

Sou o desejo incorrigível de sorrir,
A busca tão indiscutível por sentir,
Um incompleto irresponsável
Pronto pra te dizer sim

Um hábito inútil, sem sentido, um vapor.
Um indiscreto transitório, um louco sem pudor.
Mas a vida ainda vale a pena.
A vida ainda vale a pena.

Eu sou o livro cuja capa não se pode ler,
A dor e toda graça do que é viver,
Eu sou o que sobrou de uma lembrança,
A arrogância de ser.

Sou egoísta e tento te dizer que não,
O meu cinismo só revela a omissão,
De quem assiste a um desfile triste
Um clichê em vão.

A vaidade das vaidades, um vazio sem fim
A busca da realidade é o que me trouxe aqui.

Tanlan