Infância

Elas cresciam juntas, da forma mais agradável quanto era possível. Eram meigas, felizes como ninguém poderia ser. Riam de tudo, tinham assunto para longas horas de conversa, e uma sempre se interessava plenamente pelo que a outra tinha a dizer, não importava o que fosse. Jamais criavam um sorriso falso para esconder uma ferida, nem encontravam uma palavra vazia para substituir uma dor que não se sabe expressar. Ninguém se expressava melhor do que elas, afinal. Ninguém gargalhava com tanto gosto, ninguém chorava com tanta intensidade, ninguém perdoava com tanto amor, ninguém desfrutava de tanta alegria, como elas. Elas sim. Viviam tempos perfeitos, vidas perfeitas. Eram inseparáveis, como se uma tivesse o coração da outra em suas mãos, para cuidar como se cuida de um tesouro precioso. Mal sabiam elas, porém, que tanta alegria e pureza não poderia impedir a dor que viria mais tarde. Elas cresceram, separaram-se devido às circunstâncias e ao tempo. E, com a infância, foi-se também a beleza das cores...