dezembro 09, 2012

Opressão

Há uma tempestade, tudo está escuro. Apavoro-me. Lembranças me acorrentam num pesadelo infindável, uma realidade isolada. E ouço a voz de uma alma ferida, que ordena: 
“Não se mova. Qualquer movimento é doloroso. Não feche os olhos, as imagens voltarão. Não tente entender, você não consegue. Não explique, ninguém entenderá. Não sorria, não há motivos. Não se esforce. Você está cansada. 
Você é inerte. Sem vida, sem direção. O silêncio te assola, a escuridão te domina. Não espere nada. Não espere ninguém. Não culpe, não desculpe, não pense nisso. Pessoas não ajudam. Pessoas não existem. 
Não grite, não fale, não sussurre. Não diga palavra alguma, aquieta-te. Não chore também. Desespere-se, deseje a morte e morra. Morra agora mesmo...”