A roda torta e as horas

Passou ali na janela, balbuciou qualquer coisa e saiu a saltitar. Gargalhava irreverente, sapateava desordenada e frenética sob a luz do sol risonho e cantava com doçura. Diante dos muros, parava e punha-se a refletir. A reflexão trazia as lágrimas confusas, pela mão. Sentavam-se todas, – a loucura, a alegria, a reflexão e as lágrimas – numa roda torta, e comentavam a passagem das horas que, por sua vez, corriam indiferentes sobre as ruas estreitas da vida efêmera.