novembro 23, 2013

Você

Devaneios! Você é um pronome tão certo quanto incerto. Paradoxal. Não sei bem o seu nome. E também não sei que palavra empregar para descrever a saudade de uma personalidade ou evento desconhecido, não situado no espaço-tempo – a saudade de você. Sabe que eu não sei bem? Verifico a possibilidade de já ter estado diante de você, sorrindo e dançando, saltando e brincando, como faço somente diante daqueles a quem não devo nenhuma explicação, envolta pela liberdade de ser assim – exacerbadamente sensível, elétrica, falante, risonha, dramática, chorona, problemática, confusa e livre. 
Talvez já tenhamos nos deparado num desses espaços mágicos, onde eu me encontrava despreocupadamente vestida de helanca, saltando e girando quando tinha vontade. Lançando-me ao chão quando o corpo desejava repousar. Elevando uma perna à altura da cabeça, sem razão. Rindo da dor e do reflexo nos espelhos. Comentando filosofia apaixonadamente, nos intervalos entre um e outro grand battement, embora ninguém tivesse perguntado. Jogando os cabelos e ajeitando os longos fios a cada dez minutos, das mais variadas formas, buscando favorecer não uma boa aparência, mas a boa execução dos passos e o frescor da nuca. Insaciável, perseguindo sempre o ideal utópico da perfeição. 
Talvez você já tenha me observado de longe, com um sorriso extático, os olhos brilhantes, o coração pulsando no ritmo da música e a poesia invadindo todo o seu ser. Ou talvez você já tenha me conduzido, contando com a minha confiança na sua força, ignorando sua própria exaustão, realçando minhas linhas, mantendo o meu eixo e tratando-me sempre com formidável delicadeza. 
Talvez você seja passado, presente ou futuro. Não importa. De algum modo, você me faz muito bem.